“Here’s what I think I can do”

Eu estava voltando de um cliente hoje e ouvindo o audiobook do livro “In the Plex” de Steven Levy no carro quando ouvi algo que mexeu comigo. Ao falar de como o Larry Page (um dos fundadores da Google) era visto em Stanford na época da sua faculdade, o autor menciona que havia um espectro de pensamento entre os estudantes. De um lado, a maioria, que pensava: “What thesis should I work on?“. Do outro, estava Larry Page com uma indagação diferente: “Here’s what I think I can do“.

Esse tipo de pensamento muda tudo e é algo que está profundamente conectado a um incômodo que eu venho tendo cada vez mais forte: eu vejo a comunidade de engenheiros de software (pelo menos no Brasil, no Vale do Silício me parece diferente), de modo geral, muito preocupada em aprender novas tecnologias, em aspectos teóricos, na forma e beleza do que estão produzindo e pouca preocupação e energia em como transformar o mundo que vivemos colocando em prática esses conhecimentos. A cada evento ou lançamento tecnológico, vem uma inquietação interna que consome a alma dos nossos bravos developers: preciso colocar as mãos nessa nova tecnologia, fazer labs, posts, meetups, vídeos, festas temáticas, camisetas, stickers para notebooks e, principalmente, me projetar para a comunidade.

Na verdade eu não sou contra nada disso e faço (ou tento fazer) muitas das que mencionei no parágrafo anterior. Agora, o ponto é: fazer tudo isso tendo um problema real de negócio, um propósito humano ou comercial por trás disso tudo não é muito mais interessante? Olhar as novidades e possibilidades tecnológicas mas sempre pensando “como será que isso resolve um problema e como eu posso contribuir com a solução?” me parece o melhor caminho para promover inovação e até mesmo para encaminhar o seu desenvolvimento profissional. Quem nunca ficou ansioso com centenas de novas tecnologias que quer aprender e frustrado por não conseguir fazê-lo por falta de tempo ou foco? Até passar um tempo e boa parte dessas tecnologias ficarem irrelevantes pois parece que nunca foram lá essas coisas mesmo.

Há duas semanas eu fui em um evento de startups aqui em São Paulo que tinha foco em universitários empreendedores. Havia 10 grupos participando do evento. 100% das iniciativas de empreendedorismo eram digitais: criação de mobile ou web apps, 7% dos participantes vindos da área de Computação. A grande maioria vindo de Administração ou outros cursos e engenharias. Percebem o incômodo?

Para finalizar minha reflexão uma sugestão e provocação: inverta o seu pensamento. É muito comum hoje pensarmos “quero mexer com essa a tecnologia, vou pensar em algo que justifique isso”. A inversão é “tenho um propósito que me motiva, essa tecnologia me ajuda a resolver o meu problema?”. E para desenvolver o seu propósito, pense sempre: here’s what I think I can do 😉

Abraços!

One thought on ““Here’s what I think I can do”

  1. Concordo plenamente com voce, Daniel!
    Acredito esse ser um dos grandes problemas do empreendedorismo digital no mundo. Em geral, os conhecedores de tecnologia, vulgo “nerds”, sao treinados na faculdade para gerar mais e mais tecnologia nao importando seu uso pratico ou valor de mercado. Ao tentar fazer com que esses profissionais de TI virem empreendedores, ha uma inversao de conceitos que precisa ser superada.
    Poucos sao os que entendem esse obstaculo e conseguem desvincular os desafios tecnicos dos mercadologicos…

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