Não há nada de errado com PaaS!

Acabo de ler o artigo da InfoQ “What is going on with PaaS?“. Em resumo, ele comenta que PaaS está sendo adotada em um ritmo bastante lento e disserta sobre as possíveis razões pelas quais esse tipo de serviço está falhando e perdendo espaço para IaaS. Segundo o autor, as razões principais são: mensagem de marketing confusa, falta de maturidade e limitações das plataformas. Embora eu entenda os pontos mencionados, eu enxergo de maneira diferente e discordo de alguns argumentos listados.

Vamos lá… deixa eu comentar o óbvio aqui: PaaS é uma plataforma. Juro que algum dia eu vou escrever um artigo denominado “O Dilema das Plataformas”. Toda vez que eu vejo um desenvolvedor e/ou gerente lidando com plataformas (e não falo apenas de plataformas cloud, mas plataformas de software de maneira geral), é sempre a mesma velha história: “é limitado”, “nós compramos essa plataforma para sermos mais produtivos, está acontecendo o contrário”, “não é flexível”, “nós não sabemos como trabalhar com essa plataforma”, “deveria estar me ajudando mas está me deixando louco!” etc. Isso acontece quando desenvolvedores .Net começam a trabalhar com Sharepoint, ou desenvolvedores PHP com Drupal… e logicamente quando engenheiros de computação mudam de abordagens tradicionais de servidores para plataformas como o Google App Engine ou Force.com.

A questão aqui é: adotar uma plataforma é sempre balancear prós e contras. Abre-se mão de flexibilidade para ter outros benefícios, na maioria das vezes produtividade, time-to-market ou menor custo. Não saber lidar com os contras da plataforma vai sempre levar para soluções mais caras, lentas e custosas. Pronto: temos o dilema montado! Desista de utilizar apenas PaaS em 100% das suas aplicações. Via de regra, vai ser necessário usar IaaS em algum ponto, criando uma arquitetura híbrida. Dito isso, em minha opinião, PaaS vai sempre ter limitações e IaaS vai – pelo menos nos próximos anos – crescer numa velocidade superior. E isso é completamente normal! Não significa que tem algo errado com PaaS. Existe algo errado com Sharepoint ou Drupal porque temos muito mais projetos usando .Net ou PHP do que as respectivas plataformas?

Sobre “mensagem de marketing confusa”, eu devo concordar com o autor, mas acrescento que a expressão “cloud computing” é vaporosa (desculpem o trocadilho) para dizer o mínimo. De novo, perfeitamente normal o mundo corporativo entender IaaS (“se funciona no seu servidor, vai funcionar na nuvem”) do que PaaS. E é menos arriscado adotar computação nas nuvens começando por aí, apenas movendo servidores físicos para arquiteturas equivalentes na AWS, por exemplo. Como eu disse antes, nada de errado com PaaS aqui, demora um tempo para termos uma mudança de paradigma e cultura incorporado pelas empresas, algo mais disruptivo.

Finalmente, como desenvolver e arquiteto de software, eu vejo apenas “componentes cloud” que podem e devem ser projetados da melhor maneira possível para criar coisas incríveis com tecnologia. Isso inclui ambientes de execução super escaláveis como PaaS, clusters Hadoop gerenciados, bancos de dados replicados (SQL ou No-SQL), streams para processamentos de eventos em realtime e por aí vai, tudo na nuvem. O menu está disponível e acredito que devemos utilizar o que há de melhor para construir a nossa aplicação, com foco em atender requisitos funcionais e não-funcionais. É IaaS? É PaaS? É blablabla-as-a-service? Não importa! Quer saber? Continuo achando que arquiteturas híbridas vão imperar no curto / médio prazo.

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